Vaporização é a técnica de elevar a temperatura de um material para liberar componentes desejáveis na forma de vapor sem chegar à combustão. Muitas substâncias ou misturas diferentes podem ser submetidas a esse método, mas a maioria é algum tipo de material vegetal: folhas, flores, sementes, cascas e raízes de diferentes plantas. Algumas contêm um único componente ativo, enquanto outras podem liberar vários, cada um em uma temperatura diferente.
Por que controlar a temperatura da vaporização pode ser benéfico? A explicação simples é que o controle de temperatura permite alterar a proporção dos componentes ativos que você está extraindo.
Malefícios da Combustão
A combustão libera tudo de uma só vez. Suas altas temperaturas podem destruir alguns componentes desejáveis e causar a pirólise do material, o que inevitavelmente libera substâncias indesejadas, como monóxido de carbono e alcatrões. Aquecer sem queimar evita isso, mas sem controle de temperatura muitas vezes resulta na liberação simultânea de todos os componentes. Como esse pode não ser o resultado desejado, controlar a temperatura na hora de vaporizar pode trazer benefícios.
Medição e Controle da Temperatura
Muitos dispositivos de vaporização permitem selecionar uma temperatura. Alguns têm escala contínua, enquanto outros só oferecem algumas opções predefinidas. Alguns aparelhos possuem visor digital, enquanto outros usam LEDs para indicar quando a temperatura escolhida foi atingida. Vaporizadores com controle de temperatura geralmente limitam a temperatura máxima para evitar combustão acidental, mas isso não é garantido. A combustão acidental acontece porque muitos materiais diferentes podem estar presentes num composto, cada um com seu ponto de combustão, e o teor de umidade também deve ser considerado. Um material seco, obviamente, queimará primeiro.
Independentemente de como você seleciona a temperatura ou de como ela é mostrada, os vaporizadores não medem de fato a temperatura da substância vaporizada. Em geral, os fabricantes tentam chegar o mais próximo possível e podem incluir um “fator de correção” para aproximar da temperatura real. Pode-se assumir com segurança que qualquer visor ou ajuste não é totalmente preciso, mas está razoavelmente próximo do que o fabricante declara. O mais importante é que forneça uma configuração consistente que você pode repetir.
Espectros da Vaporização
Há muitos gráficos na Internet mostrando temperaturas exatas em que determinados componentes vaporizam. No entanto, as temperaturas listadas correspondem ao ponto de ebulição do composto, ou seja, a temperatura em que ele é totalmente convertido em gás. Há pouca evidência sólida confirmando esses valores, então esses gráficos devem ser entendidos como valores aproximados. Além disso, esses dados se referem a componentes isolados, mas na natureza raramente eles aparecem de forma tão simples. Múltiplos componentes podem coexistir em uma matriz, alterando seus pontos de ebulição.
Esses gráficos também podem dar a impressão incorreta de que a vaporização é algo binário: nada vaporiza até chegar na temperatura listada, e então todo o composto vira vapor de uma vez. Na realidade, durante a vaporização, parte do composto começa a liberar gases a temperaturas mais baixas que seu ponto de ebulição. Por exemplo: ao aquecer água, já se vê pequenas névoas de vapor antes mesmo de ferver. A quantidade vaporizada antes do ponto de ebulição — e a temperatura em que esse processo começa — varia de composto para composto e é difícil de quantificar. O que sabemos é que a quantidade vaporizada aumenta rapidamente à medida que o ponto de ebulição se aproxima. Obviamente, no ponto ou acima dele, todo o composto está sendo vaporizado.
Experimentação e Resultados
Os primeiros componentes de interesse liberados na vaporização da maioria dos materiais são os terpenoides, pois geralmente têm os pontos de ebulição mais baixos. Eles são especialmente importantes na aromaterapia, já que são responsáveis pelo aroma e sabor. Se essas são as características que você busca, selecione a temperatura mais baixa que produza vapor.
Vale observar que o vapor nem sempre é visível em temperaturas baixas sob iluminação normal. Não é preciso vê-lo para obter efeitos. Julgue a produção de vapor de baixa temperatura pelo cheiro, sabor e efeito. O vapor se torna mais visível conforme a temperatura aumenta, mas também fica mais quente, mais áspero, contém mais partículas potencialmente irritantes e é menos saboroso, já que o calor destrói rapidamente os terpenoides.
É importante saber que, mesmo em temperaturas que liberam terpenoides, outros componentes ativos podem estar sendo vaporizados — mas em proporções menores do que quando seu ponto de ebulição é atingido. A maioria dos materiais, e todas as misturas, contêm vários compostos ativos, de modo que, ao aumentar a temperatura, você está alterando a proporção deles.
Experimente começar com temperaturas baixas para obter máximo sabor e aroma, depois aumente gradualmente para identificar os pontos que fornecem a proporção de componentes mais adequada para você. Não é uma ciência exata, porque materiais, dispositivos e necessidades individuais variam bastante. Experimente seguindo os princípios aqui descritos e descubra o que funciona melhor no seu caso.
Baseado no texto original “Temperature controlled vaporizing“.